why can’t we be ourselves like we were yesterday?

7 nov

Talvez você nem saiba da existência desse blog, talvez sim.  Talvez tenha prestado atenção naquela nossa conversa, tenha visitado e até comentado, talvez não. Talvez a gente ainda nem se conheça pessoalmente. Talvez eu possa apenas estar alimentando uma paixonite platônica  (e acredite, eu posso apenas me contentar em só te ver every single day e comprar aquele bilhetinho azul do metrô de suas mãos). Talvez já tenhamos ficado tão bêbados que nem nos lembramos de como fomos parar naquele quarto frio (me desculpe por usar seu sleeping bag com outro).  Talvez você tenha me ligado todo final de semana após o término, por um ano inteiro, e tenha me convidado pra “sair”. Talvez você tenha me achado surpreendente naquela nossa conversa no Teta, depois de assistirmos Alice e você ter levado um banho de pipoca. Mas talvez, só talvez, você tenha descoberto que eu não desperto as borboletas no seu estômago e tenha me pedido desculpas por isso (!). Talvez eu tenha te ouvido, pacientemente por muito tempo, reclamar de como sua ex era neurótica. Talvez a gente tenha passado muitos sábados dentro daquele carro vermelho, fumando e conversando, só  conversando (“nada de sexo, a gente não tá na vibe”). Talvez eu tenha ficado contigo só porque te achava parecido fisicamente com meu ex, e hoje  fujo de você. Talvez eu tenha te escondido dos meus amigos todo esse tempo por  medo deles não te acharem tão bom pra mim. Talvez, mesmo sabendo que é gay, eu queira pular no seu colo toda vez que me dá carona. Talvez eu só vá àquela festa por saber que você vai estar lá, sempre com a mesma camiseta, com os mesmos amigos e bebendo da mesma coisa duvidosa. Talvez eu suspire toda vez que vejo um SMS seu. Talvez eu tenha te excluído dos meus contatos, talvez não.

Queria ter te cantado Roberto, te dedicado alguma coisa ou ter te escrito lindamente, mas não consigo, não dá.

Pensei em nós juntos mais de uma vez, pensei mesmo. E entenda juntos como “velhinhos-apaixonados-de-mãos-dadas-no-parque”, ou, como te dizia: “até eu não aguentar mais trocar a sua sonda”. Mas depois que você, sutilmente como um avestruz, soltou sua mão da minha, eu percebi que foi só sexo, ou pelo menos uma tentativa, sei lá.

Eu sei que você foi efêmero, passou, não tem volta. Mas eu também sei que você é um puta d’um frustrado que, assim como eu, nunca superou realmente, e sente culpa pelo fim e por não se deixar gostar de outras pessoas. É o nosso jeito, we can’t fix it. Mas eu até gosto de você, da desproporcionalidade da sua cabeça em relação ao seu corpo, do olhão, das tatuagens, dos piercings, do cabelo, ou da falta dele, do jeito que você puxa o “erre”, que fecha os olhos pra fazer uma afirmação (seria isso medo?), que abre as narinas pra conversar…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: